Deixaste a xícara na mesa
Como quem deixa um rastro de si
O cheiro do café te procura
Mas nem o vento quis te descobrir
O relógio batendo sem pressa
Na angústia o tempo parou
E eu, que sempre temi o vazio
Esqueci no momento quem sou
Entre café e silêncio
Um retrato apagado na sala
Pendurado em moldura antiga
Em silêncio o tempo me cala
Entre a moldura e o retrato
O café derramado na sala
Pendurei o silêncio no peito
Mas silêncio nunca se cala
A cortina que dança sozinha
Compassada em tua saudade
E eu juro que ainda te ouço
Em ausência que pura maldade
Filme mudo, um silêncio em cena
E beijo lindo na tevê
Me lembrando que fomos felizes
Quando era só eu e você
Entre café e silêncio
Um retrato apagado na sala
Pendurado em moldura antiga
Em silêncio o tempo me cala
Entre a moldura e o retrato
Café derramado na mesa
Te espero bater na minha porta
Meu olhar brilhar de surpresa
Te espero bater na minha porta
Meu olhar brilhar de surpresa