Senhor do tempo

Beto Pohlux

O sopro do vento arriscado, risca o cimento, risca o cimento
E o pensamento gira lento, gira do mundo, terreiro barrento
Eu toco o tambor do tempo, sinto a força, o sentimento
E no centro do silêncio acenda o movimento, o movimento

Lalaiá, iô, irê, ialá
Lalaiá, iô, irê, ialá
Gira do mundo, que o mundo é mar
Gira do mundo, que o mundo é mar

Atrás do muro sofrimento, um lamento, de outro tempo
Para além do esquecimento, só vejo cores e os momentos
Depois do sonho há um vulto, tenha cuidado, fique atento
Que canta no escuro, futuro, salta o muro doa seu tempo

Lalaiá, iô, irê, ialá
Lalaiá, iô, irê, ialá
Gira do mundo, que o mundo é mar
Gira do mundo, que o mundo é mar

No fundo do espelho mora o eco, mora a verde, o reflexo
Reflete mais não sei se carrego, perdeu a força, esta perplexo
Toda sombra tem perfume, todo medo tem prece
E o verso que amanhece nunca esquece, nunca esquece

Lalaiá, iô, irê, ilá
Lalaiá, iô, irê, ilá
Gira do mundo, que o mundo é mar
Gira do mundo, que o mundo é mar

O vento arriscando o cimento, risco de faca, risco do tempo
E o pensamento da gira, gira no escuro, girando vento
Eu toco o tambor do tempo sinto a força, eu sou o tempo
E o tempo se refaz no tempo

Lalaiá, iô, irê, ialá
Lalaiá, iô, irê, ialá
Gira do mundo, que o mundo é mar
Gira do mundo, que o mundo é mar

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