Havia uma cadeira, em frente a parede Parede branqueada, imaculada Sem nenhuma mancha, sem conter nada Sem um risco ou rabisco Tentado fiquei, olhando aquela parede Caiada ou não, provavelmente pintada a mão Ora, posso fazer nela, o esboço daquilo que quero E entre riscos e rabiscos, círculos e quadrados Círculos, os círculos, sempre terminam onde começam Não importa o tempo, que leva para traçá-los É no início, que sempre irão terminar Mas não posso me apegar, a uma simples forma esférica Pois o futuro, qual espero, esse anda em linha reta Futuro, o futuro, o que espero do futuro? Serão dias de luz ou dias obscuros? Como posso planejar? Como posso eu agir? Pois o futuro é a teoria, que geralmente Não corresponde a prática, a prática Eis que então me vejo na inércia, sentado na cadeira Estou frente à parede, ainda branqueada, imaculada Pois nem um giz sequer eu tenho, para traçar meus planos Nem sequer saberei, se da cadeira levantarei Mas que incógnita é a nossa vida É como a parede branqueada, imaculada, caiada ou não Talvez pintada a mão, quem saberá Sem um risco ou rabisco, traçados ou esboços Simplesmente uma parede, uma branca parede