Uuh, yeah, tô longe de casa, e o vento geme no meu ouvido Sons da rua e do infinito Acordei num dia frio, a estrada empoeirada O perigo ronca no motor, minha mente está cansada Meus olhos a diante, ouvidos na batida, motorista solitário Carrego vidas na carroceria, mas meu coração é itinerário A responsabilidade pesa, mais que o caminhão Cada curva é um perigo, cada subida uma oração Se eu errar, não tem amanhã, só o eco do meu blues No dia ou na noite, a estrada não perdoa, ela é uma cruz A noite se arrasta como sombra, faróis dançam no breu O asfalto reflete histórias que o tempo não esqueceu O rádio só toca estática, a minha mente vai girando Dirigindo sem destino, e o medo está no comando O céu vermelho, ônibus na contramão Minha mãe dizia: Volta pra casa meu Filhão! Mas minha casa está longe E o blues virou meu patrão A responsabilidade pesa mais que o caminhão Cada curva é um perigo, cada subida uma oração Se eu errar, não tem amanhã, só o eco do meu blues No dia ou na noite, a estrada não perdoa, ela é uma cruz Quando o tanque secar, vou parar num bar de beira mar Tocando minha vida, com um gole e um velho violão Mas até lá, só o zumbido do motor E o perigo cantando sua canção, sem perdão