A senhora que limpa o chão do escritório Chega antes do Sol, e sai no fim do horário O entregador na chuva, no semáforo fechado Traz o sustento quente, mas volta pra casa encharcado São os rostos que você não vê no seu salão São as mãos que costuram, sem ganhar atenção É a base que sustenta o seu conforto e lazer Mas que vive no limite, sem direito de viver Classe invisível, gente real Não é favor, é essencial Não é esmola, é reparação Por cada suor que ergueu essa nação A cozinheira que alimenta a escola Com um salário que mal compra a sacola O pedreiro que constrói palácios com o corpo gasto E vive num barraco que o governo declara espaço São vozes caladas na estatística oficial São sonhos cortados no ponto final É quem não falta, mesmo sem ser lembrado É quem vive apagado, mas move o estado Classe invisível, povo essencial Não é vergonha, é moral O país que esquece quem o ergue É um império em ruínas que abate quem o serve Tem riqueza demais nas mãos de um punhado E talento perdido onde falta cuidado Não é preguiça, é o corte seletivo Que puxa a escada ao chegar no altivo Classe invisível, eu te vejo, sim Cada rosto, cada fim Enquanto houver quem lute, haverá estrada E um dia essa classe vai ser celebrada