Uma casinha de madeira de frente pro mar Onde o tempo aprende devagar a caminhar A brisa entra pela janela sem pedir licença Levando embora o peso da minha consciência O horizonte pinta o céu no fim da tarde Como um quadro que ninguém consegue copiar E por alguns instantes eu esqueço Tudo aquilo que ficou pra trás Aqui o vento conhece meu nome E o silêncio finalmente fala comigo Deixa eu ficar mais um pouco aqui Onde as ondas sabem quem eu sou Longe da fumaça e do concreto Onde meu coração desacelerou Porque é no abraço desse mar Que eu volto a respirar E descubro que ainda existe vida Mesmo depois de tanto lutar O nascer do Sol invade a janela Queimando meus olhos sem machucar É como se dissesse bem baixinho Você ainda tem muito pra sonhar O cheiro de sal renova a alma O vento leva embora a solidão Cada onda que quebra na areia Também acalma meu coração A natureza canta sem pressa E eu me perco nesse som Como se o mundo inteiro parasse Só pra lembrar quem eu realmente sou Mas toda calmaria encontra o tempo E o relógio nunca deixa de chamar Deixa eu ficar mais um pouco aqui Onde as ondas sabem quem eu sou Longe da fumaça e do concreto Onde meu coração desacelerou Porque é no abraço desse mar Que eu volto a respirar E descubro que ainda existe vida Mesmo depois de tanto lutar Então a cidade acende suas luzes E a rotina volta a me encontrar O trabalho chama meu nome Como quem não pode esperar Mas eu levo um pedaço desse mar Guardado dentro do peito Pra lembrar nos dias difíceis Que existe um lugar onde tudo encontra seu jeito Mesmo quando eu voltar pra cidade Vou carregar comigo esse lugar Porque a paz não mora só na praia Ela aprende a viver dentro de quem sabe amar E enquanto existir um horizonte Sempre haverá um novo amanhecer Eu sigo vivendo entre o mar e a cidade Sem deixar meus sonhos morrerem A estrada me leva de volta Mas o mar O mar sempre sabe onde me encontrar