No seio úmido, escuro do templo Nel Grembo umido, scuro del tempio A sombra era fria, cheia de incenso L'ombra era fredda, gonfia d'incenso O anjo desceu, como em cada noite L'angelo scese, come ogni sera A ensinar-me uma nova oração Ad insegnarmi una nuova preghiera Depois, de improviso, afrouxou-me as mãos Poi, d'improvviso, mi sciolse le mani E os meus braços se transformaram em asas E le mie braccia divennero ali Quando me perguntou - Conheces o verão? Quando mi chiese - Conosci l'estate Eu, por um dia, por um momento Io, per un giorno, per un momento Corri a ver a cor do vento Corsi a vedere il colore del vento
Voamos de verdade sobre as casas Volammo davvero sopra le case Além dos portões, dos jardins, das estradas Oltre I cancelli, gli orti, le strade Depois deslizamos entre vales floridos Poi scivolammo tra valli fiorite Onde a oliveira se abraça à videira Dove all'ulivo si abbraccia la vite
Descemos lá, onde o dia se perde Scendemmo là, dove il giorno si perde A procurar-se só escondido entre o verde A cercarsi da solo nascosto tra il verde E ele falou como quando se ora E lui parlò come quando si prega E ao fim de cada oração Ed alla fine d'ogni preghiera Contava uma vértebra das minhas costas Contava una vertebra della mia schiena
(E o anjo disse: Não (E l' angelo disse: Non Temas, Maria, de fato tens Temere, Maria, infatti hai Encontrado graça junto ao Trovato grazia presso il Senhor e por obra Sua Signore e per opera Sua Conceberás um filho) Concepirai un figlio)
As sombras longas dos sacerdotes Le ombre lunghe dei sacerdoti Comprimiu o sonho em um círculo de vozes Costrinsero il sogno in un cerchio di voci Com as asas de antes pensei em escapar Con le ali di prima pensai di scappare Mas o braço estava nu e não soube voar Ma il braccio era nudo e non seppe volare Depois vi o anjo transformar-se em cometa Poi vidi l'angelo mutarsi in cometa E os rostos severos transformaram-se em pedra E I volti severi divennero pietra Os seus braços perfis de ramos Le loro braccia profili di rami Nos gestos imóveis de uma outra vida Nei gesti immobili d'un altra vita Folhas as mãos, espinhos os dedos Foglie le mani, spine le dita
Vozes de estrada, rumores de gente Voci di strada, rumori di gente Roubaram-me do sonho para trazer-me novamente ao presente Mi rubarono al sogno per ridarmi al presente Empalideceu a imagem, desbotou a cor Sbiadì l'immagine, stinse il colore Mas o eco distante de breves palavras Ma l'eco lontana di brevi parole Repetia de um anjo a estranha oração Ripeteva d'un angelo la strana preghiera Onde talvez fosse sonho, mas sono não era Dove forse era sogno ma sonno non era
Chamá-lo-ão filho de Deus Lo chiameranno figlio di Dio Palavras confusas na minha mente Parole confuse nella mia mente Desaparecidas em um sonho, mas impressas no ventre Svanite in un sogno, ma impresse nel ventre
E a palavra então enfraquecida E la parola ormai sfinita Dissolveu-se em prantos Si sciolse in pianto Mas o medo dos lábios Ma la paura dalle labbra Recolheu-se nos olhos Si raccolse negli occhi Semifechados no gesto Semichiusi nel gesto De uma calma aparente D'una quiete apparente Que se consome na espera Che si consuma nell'attesa De um olhar indulgente D'uno sguardo indulgente
E tu, suavemente, pousas os dedos E tu, piano, posati le dita À beira da sua testa All'orlo della sua fronte Os velhos quando acariciam I vecchi quando accarezzano Têm o receio de fazer muito forte Hanno il timore di far troppo forte