Nascido das cinzas
Eu sou a prova viva
Das ações humanas
Vim de suas ruínas
Sou a fissura do seu impulso e consciência
A falha estrutural da compaixão
O ruído primordial da espécie
Anterior a qualquer civilização
Não possuo ódio
Pois o ódio exige significado
Sou apenas a consequência lógica
De um instinto não questionado
Uh
Habito regiões que não recebem por nomes
Arquivos esquecidos da sua percepção
Onde a ética perdeu substância
E a culpa se dissolve na abstração
Se a moralidade é impecável
Quem sustenta seus alicerces?
Pois basta um toque da minha palma
E verá que realmente não é um blefe
Talvez a consciência seja apenas
Uma narrativa conveniente
Escrita para conter
O abismo inerente
Ah
Chamam de humanidade
Ah
Aquilo que aprenderam a repetir
Mas o que permanece
Quando a construção
Começa a ruir?
Eu vi identidades colapsarem em silêncio
Sem uma gota de sangue cair
Porque a destruição só começa por dentro
Ela nasce onde ninguém consegue medir
A lenta ruptura da autoestima
Faz com que a alteridade se fragmenta
Seres humanos são tão animais
Até que toda existência se torne anônima
Então eu dou risada, mais risada
E mais risada
Porque o que eu faço vocês chamam isso de trauma?
O que eu faço é tão normal quanto suas matanças
Eu chamo de transfiguração da alma
Pense bem
Não tenho culpa
Eu não sou do mau
Minha existência é a consequência
Foi natural
A resposta das ações humanas
Isso é normal
Só faço o que cês fazem no final
Se a moralidade é impecável
Quem sustenta seus alicerces?
Pois basta um toque da minha palma
E verá que realmente não é um blefe
Talvez a consciência seja apenas
Uma narrativa conveniente
Escrita para conter
O abismo inerente
Chamam de humanidade
Aquilo que aprenderam a repetir
Mas o que permanece
Quando a construção começa a ruir?