Ranchinho de tábua e zinco Na beira do corredor Pequeno, quatro por cinco Erguido com muito ardor Foi o que deu por agora Por agora e pra o por vir Do bolso de um peão changueiro Não dá muito pra exigir Não pude herdar sesmaria Minha sorte não foi pra tanto Embora minha fortuna Bem sei que devo ao campo Ali tô bem na cruzada Se enxerga um pouco de tudo No vai e vem das estâncias Sempre sobra algum saludo Tenho um lote de cachorro Mas como não hei de ter Se quem tem mais do que eu Larga os bichos pra morrer E eles vão se aquerenciando Na volta do meu ranchinho Que além de uns restos de bóia Sempre sobra algum carinho Tenho um gateado cabano, descarnado Infelizmente Não é muito bom de boca, mas de cômodo excelente! Volta e meia me procuram, pra algum serviço pra fora Já fui mais atracador, pra parar não tinha hora! Quando moço peonada De Sol-a-Sol sempre altivo Trator, esquila e aramado Mas me agrada é o pé no estrivo Hoje me justo por dia Tiro as folga dos caseiros Pra algum banho ou vacina E outros serviços ligeiros E tudo isso que ostento Nessa vila de fronteira Vai além de prata e ouro Levei quase a vida inteira Pra descobrir que a fortuna Lhes falo da verdadeira É ter saúde, um ranchinho Pingo, cusco e companheira!