E B9 Não era de uma casa só, era de toda a rua, de todo coraçãoE B9 Dormia em cada porta aberta, sempre encontrava um prato e um irmãoE B9 Mais de 10 anos nas vizinhas, viu criança crescer, viu o tempo passarE B9 Cão comunitário, alma mansa, nunca soube o que era machucarE B9 Quem passa por aqui conhece seu jeito calmo de olharE B9 A rua inteira hoje chora porque aprenderam a te amarE B9 Corre livre agora, orelha. Você foi de todo mundo, foi nosso tambémE B9 Se existe céu pros bons de alma, você tá lá cuidando da gente alémE Aqui ficou saudade espalhada no chãoB9 Em cada esquina que você deitou, que o amor de uma vizinhança inteiraE B9 Seja mais forte que a maldade que te levouE B9 Florianópolis sabe teu nome, porque teu rabo abanava para qualquer umE B9 E Você confiava sem medo no mundo que nem sempre foi comumB9 Não pediu nada além de carinho, nem conhecia raiva ou defesaE B9 Pagou com a vida inocente a crueldade de quem perdeu a purezaE B9 Não foi descuido, foi escolha. E escolha também pesaE B9 Um cão que era de todos partiu por causa da friezaE B9 Corre livre agora, orelha. Você foi de todo mundo, foi nosso tambémE B9 Se existe céu pros bons de alma, você tá lá cuidando da gente alémE Aqui ficou saudade espalhada no chãoB9 Em cada esquina que você deitou, que o amor de uma vizinhança inteiraE B9 Seja mais forte que a maldade que te levouE B9 Que nenhuma rua esqueça teu nome que nenhum latido morra em vãoE B9 Orelha virou símbolo, virou promessa de mais cuidado e mais compaixãoE B9 Eu.... corre livre agora orelha. Depois de tantos anos sendo abrigo e láE B9 A rua promete em silêncio proteger quem ainda e é confiarE B9 Porque amor não morre não, nem com o tempo, nem com o fimE B9 Orelha vive em cada cão que ainda acredita na gente. Mesmo assim. Ah
Orelha
Jorge e Mateus
- B9
- E
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Tom: