Ontem eu jurei ser diferente Mas a promessa se perdeu no balcão A garrafa riu da minha coragem E a madrugada me roubou o perdão Cada gole é um disfarce barato Cada riso é só cortina de fumaça Quando acordo, o silêncio me grita A ressaca é pequena perto da desgraça Copo vazio, corpo cheio de culpa Eu me afogo naquilo que não me salva Sou náufrago da própria fuga Mas insisto em chamar isso de calma Na boca, palavras tortas me traem Na memória, cicatrizes em looping Quem me vê, nem sabe o que eu carrego Sou eu contra mim e vivo perdendo E quando a noite pesa no meu quarto Me escondo em copos, lembranças e vícios Coleciono promessas quebradas E silêncios maiores que gritos Copo vazio, corpo cheio de culpa Eu me afogo naquilo que não me salva Sou náufrago da própria fuga Mas insisto em chamar isso de calma Se a bebida é o veneno que escolhi Também é a desculpa que me veste Me prometo mil vezes o fim Mas a sede sempre chega mais forte que a prece Copo vazio, corpo cheio de culpa Eu me afogo naquilo que não me salva Sou náufrago da própria fuga Mas insisto em chamar isso de calma