Eu sou da sua madeira De tu palo soy Filho do seu couro Hijo de tu cuero Sou o esquecido Soy el olvida'o Do cofre do tempo De la alcancía del tiempo Aquele que permaneceu de pé El que se quedó de pie Enfrentando você Poniéndote el pecho
Sou flor operária Flor obrera soy Selvagem de espuma Silvestre de espuma Quando o trem parte Cuando el tren se va Eu olho, nos trilhos, a Lua Miro, en las vías, la luna Pensando: Talvez Pensando: Tal vez Minha cidade encontre fortuna Mi pueblo encuentre fortuna
Meu pulmão se inflou Mi bofe si hinchó Quando distribuíram Cuando repartieron Não se lembram de mim De mí no se acuerdan Dizem que nunca me viram Dicen que nunca me vieron Que eu não sou daqui Que no soy de aquí Que eu já não tenho remédio Que ya no tengo remedio
Eu sou o esquecido Soy el olvida'o O mesmo que um dia El mismo que un día Ficou de pé Se puso de pie Engolindo terra e saliva Tragando tierra y saliva Caminho em direção ao Sol Camino hacia el sol Para curar as feridas Para curar las heridas
Eu sou uma ferida Una herida soy Em busca do salário Buscando el salario Professores de pé Maestros de pie Cuidando de filhotes brancos Cuidando pichones blancos Que amadurecerão Que madurarán Iluminando esta terra Iluminando este pago
Eu sou aquele que ficou Soy el que quedó No meio dos ranchos En medio los ranchos Órfão do destino Guacho del fia'o Comendo mate e ensopado inventado A mate y guiso inventado Fome e rebelião Hambre y rebelión Cresceram em minhas mãos Fueron creciendo en mis manos
Não quero a mais No quiero de más Quero o que é meu Quiero lo que es mío Ao martelo torcido Al mazo trampia'o Quero dobrar o destino Quiero torcerle el destino Levanta, covarde Levántate, cagón Porque aqui canta um argentino Que aquí canta un argentino
Eu sou o esquecido Soy el olvida'o O mesmo que um dia El mismo día que un día Ficou de pé Se puso de pie Engolindo terra e saliva Tragando tierra y saliva Caminho em direção ao Sol Camino hacia el sol Para curar as feridas Para curar las heridas