Cascos, Asas e Focinhos

Ministério Salva-me

  • A
  • Bm
  • C#m7
    4
  • D
  • E
  • F#m
Tom:
[Intro] A D E A D E A D
E A D E A D
E A D E
A D E Virá o dia em que o medo terá a leveza de uma pena esquecida
A D E Quando a sombra da serpente não fará o coração acelerar
A D E Mas será apenas o desenho de um galho sobre a grama macia
D E A criança de peito ainda cheio do leite do céu
A D E Estenderá a mão pequena e trêmula de curiosidade não de pavor
A D E Sobre a toca onde a víbora se enrola como um caracol de escamas
F#m E a víbora irmã não cuspirá veneno
D Mas lamberá aquele dedo como quem prova o mel
A Que escorre do favo da manhã
E C#m7 D Perguntarão: como é possível
E E a resposta será o silêncio que se aprendeu
A Depois de tantas lágrimas enxugadas
D E A D E
A D E O lobo aquele que uivava para a lua com fome de ausência
A D E Terá seus dentes transformados em pétalas
A D E E o cordeiro que antes tremia como a folha no outono
D E Deitará a cabeça sobre o flanco do antigo algoz
A D E E ouvirá surpreso o motor suave de um ronronar
A D E Não haverá presa não haverá caça
F#m D Apenas o respirar de dois corpos que aprendem
A E Que o amor desarma as mandíbulas do tempo
D E O leopardo pintado de manchas como constelações
D E Correrá ao lado do cabrito numa aposta boba
D E E quem vencer será o que primeiro tropeçar na própria sombra
D E Ao ver uma flor desabrochar no caminho
A Bm E O leão esse rei de juba incendiada
D E Curvará o pescoço poderoso para pastar ao lado do boi
D E ambos de focinhos enterrados no capim
E Murmurarão preces de gratidão
D E Pelo fim da cadeia que devorava a si mesma
A D E E uma criança apenas uma com os cabelos cheios de vento
A D E Passará a mão pela juba do leão como quem afaga um campo de trigo
A D E Seu riso será a flauta que rege a sinfonia dos bichos
A D E O urso dançará com a vaca num passo desengonçado
A D E E os filhotes todos eles peludos e lisos
D E Rolarão numa bola só de inocência e pelo
D E Descobrindo que o medo é uma língua que já não se fala
A D E Ninguém fará mal ninguém destruirá
A D E Porque a terra finalmente se encharcou do conhecimento de Deus
A D E Como as águas cobrem o fundo mais profundo do mar
D O que era espinho virou ninho
D O que era presa virou abrigo
D O que era fera virou berço
A D E E a criança aquela mesma que brincava na toca
A D Correrá pelo campo aberto
E Seguida por uma procissão de patas e cascos
A D Asas e focinhos
E D Num cortejo que celebra a única verdade que restou
E A D E A D E O amor é a língua que todos os viventes enfim aprenderam a falar
A D E a morte essa velha senhora
E Ficou lá atrás esquecida
D E A Como um brinquedo quebrado que já não interessa a ninguém
D E A D E A D E
D E A
Informações da música

Composição: Lucas Antonio Dantas Ferreira Junior

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