Quando me convidaram pra aquela janta achei que era só pra comer E passar um tempo com os amigos, se eu soubesse que ia acabar No meio do fogo cruzado entre dois imbecis se estapeando Pra defender seu politico de estimação, não teria vindo Começou no grito, cresceu a tensão Mudaram a pauta, virou confusão Falar de política era pra elevar Mas virou fumaça pra outro lugar Sem argumento, só Whatsapp e terror Caindo nos golpe em cima do Senhor Olhando nos olhos, agem com má intenção E querem ter razão, mas perderam a noção Enquanto eles brigam por cor e partido Deputado só fala na porra do próprio umbigo No meio do caos, muita mentira pelo ar Eles falam o que é preciso pra poder ganhar Na rua, é trauma, é fila pra esperar E esperança rege-nos para melhorar Mas não espere ajuda vinda do lado de lá Porque pouco importa o povo tem que se lascar Jogam o com medo na mesa, apostando e brincando com a fé Eles quebram a ponte e perguntam, por que ninguém tá de pé Falam de guerra, mas guerra pra quem? Pra mulher, pro moleque, pro preto também Mas quando o povo, resolver levantar? E Se uma revolta finalmente começar Ai eu quero ver, quem é que vai sobrar Pra onde vai seu jatinho se o mundo acabar? Tão transformando confronto em palco, palanque em derrame de sangue simbólico, sórdido Enquanto o fanático jura que o próprio delírio é método, estudo, é lógico, é código E tentar informar? Quase sempre é em vão, discordam da razão, perderam a noção, vou te contar o padrão Eles dividem a dor, multiplicam ruído Fabricam inimigo, sequestram sentido Te forçam no atrito com teu próprio amigo Enquanto o povo tá exausto, quebrado, moído Aprendendo a apanhar e a chamar de partido E eles falam e voltam e postam e forçam O ódio a virar direção Premeditado, calculado, metódico, cínico Tático, plástico, pânico, típico, bélico Ilícito Criam reação na função de encobrir a missão Com a cortina de fumaça, reaça, pirraça, pra a massa cansada, cercada, quebrada, sugada Sem tempo pra nada, seguindo a boiada, em meio a manada sem ter que opinar É caótico, bélico, cômico, trágico, usando a fumaça num truque estratégico Moldando o ódio, no povo anestésico Inflamam revolta, num rito sistêmico Depois se recolhem e agem sem pena, sem freio, sem rosto, sem volta Mas é um discurso didático! Cada promessa é fumaça, cada ameaça disfarça a engrenagem que da manipulação Cada manchete marreta, massacra, modela a mente cansada que já nem distingue a ficção E é bloco contra bloco, olho por olho troco por troco, é ódio no rosto, é raiva em rotação É dedo na cara, é culpa empurrada pra base, pra fila, pro busão, pro barraco, pro chão Enquanto o de cima recita a cartilha, atiça a matilha e assiste de camarote a deterioração O povo remenda o bolso, o almoço, o osso, o corpo, o sonho ferido e a própria emoção Mas quando o povo, resolver levantar? E se uma revolta finalmente começar Aí eu quero ver, quem é que vai sobrar Pra onde vai seu jatinho se o mundo acabar?