Um Punhado de Histórias Velhas

Ulisses Avelino

  • A
  • C#7
  • D
  • E
  • E7
  • F#m
Tom:
[Intro] A E "Eae Ulisses, como você tá?"
A Obrigado por perguntar, mas eu sinto mal
E Omito minha dor interna pra buscar um bem-estar social Sobrevivo no purgatório buscando um emprego qualquer Mas sequer olham na minha cara quando eu respondo
A "De onde você é?"
D E F#m Itaim Paulista, fundão da leste
A D E A 4 conduções e 3 baldeações pra ir e voltar da cidade
D E F#m A Isso quando não falam "é desse jeito que você se veste?"
D E D E A A velha camisa de banda e jaqueta jeans furada que entrega a idade
A Não posso nem rezar para que chova, pois senão alaga minha casa Viver na perifa é ver qualquer clima meteorológico um problema
E Novo Se faz sol demais frito feito bife no fogo em brasa
A Se faz frio, tem que ir colado para se esquentar no povo
D E F#m A Lá fora o Bob Dylan é conhecido pelas suas storytellers
D E D E Aqui no Brasil é só mais um contando um punhado de histórias
A Velhas
D E F#m A Sempre a sua luta é menor porque tem alguém que sofre mais que você
D E D E A É tipo competição de desgraça, pra porra do Datena colocar na TV
D E F#m A E nem preciso falar sobre enquadro, racismo, machismo e homofobia
D E D E A É tanta merda acontecendo que chegar ao fim do dia não é garantia
D E F#m A Existem pessoas quem tem mais local de fala do que eu
D E A Afinal tem coisas que não sofri
D E F#m A Mas fingir que não me sobe o sangue quando vejo injustiça não dá
D E A Puta que o pariu, vou te falar que eu não morri! "Ai vem o dilema"
A Ser pop pra me encaixar no mercado ou fazer rock e passar necessidade?
E Fazer um disco pra minha turma e ser o herói sem alarde Ou ser apenas uma voz lembrada pela escassez nessa polaridade escrota
A Ter que se contentar com migalhas, sendo que eu e os meus amigos merecemos a torta toda
D (Porra!)
E F#m A D E Ter que tirar da boca toda vez pra fazer acontecer minha arte é
A Foda!
D E F#m A E ter que ser cordial quando reclamam da minha boca suja
D E A Sempre é uma merda!
D E F#m A D E A E querem que eu seja só mais um que abaixa a cabeça nesse caralho
D E F#m A D E E que sustente um bando de parasitas nesse sistema filha da
A Puta!
A Mas não!
E D Minha luta é muito maior do que minhas cordas vocais
E A E meus dedos calejados podem tocar
A E D Se ainda tiver algum injustiçado que quer me escutar
E A E7 Eu vou ser a voz de quem não consegue falar
A C#7 Afinal, eu sou como você que me ouve agora
D E Eu sou a lágrima que cai do teu rosto que chora
A C#7 Eu sou o abandono do seu pai quando ele foi embora
D E Eu sou a espinha que no rosto dos jovens aflora
A C#7 E no fim eu só quero ser perdoado por um erro que me fez crescer
D E Eu só quero preencher as lacunas e não perecer
A C#7 Eu só quero ser amado por quem não me conhece e nem vai me conhecer
D E Eu só quero deixar de ser bobo e não precisar de nada disso pra viver
( A C#7 D E )
( A C#7 D E )
D E F#m A Eu só quero agradecer por você me ouvir até aqui
D E D E A Ainda me sinto bem mal, mas um pouco mais feliz por te ter aqui
Informações da música

Composição: Ulisses Avelino

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