Subúrbios

Valete

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Subúrbios

Onde a realidade é sinistra e não dá abébias

5 da matina
Já todos caminham pró mesmo enrredo
Porque nos subúrbios
O Sol levanta-se sempre mais cedo
É um povo escravizado nesta sociedade de extremos
Trabalham 2 vezes mais e ganham 2 vezes menos
Sentes o cheiro intenso que esses homens trazem no sovaco
Porque não há desodorizante que abafe o suor do
Trabalho escravo
Manos encharcam na bebida todo o espírito frustrado
Por cada garrafa que acaba
É uma esposa c'o olho inchado
Ainda acreditas que o futuro será diferente do passado
Aqui não dá para dormir
Quanto mais para sonhar, és parvo
Aqui o Diabo choca e actua
Ás vezes para veres o Inferno
Basta abrires a porta da rua
Negros dos subúrbios são sempre vistos como gente a mais
Prás discotecas africanas eles são pretos demais
São 22 horas ainda há gente no trabalho
Porque para os suburbanos a Lua levanta-se sempre mais tarde

Onde a tua mãe aos 14 engravidou
Onde o teu pai semeou e não ficou
Onde a pobreza penetrou e se instalou
Subúrbios, onde Deus nunca passou

Onde a polícia espancou e assassinou
Onde o meu povo lacrimou e ripostou
Onde o meu flow escureceu e congelou
Subúrbios onde Deus nunca passou

Manos em desespero gritam
Que se foda o desemprego
Há sempre trabalho nas esquinas do ghetto
E vendem doses duras a pobres coitados à deriva
Que armam-se em heróis
E pensam que podem foder com heroína
Vês milhares deles por aí com uma seringa no braço
A investirem a vida num suicídio de médio prazo
Um momento de silêncio por todos os manos que a heroína levou
Chicas querem sempre algo em troca para poder abrir as pernas
Mas a única cena que manos têm para oferecer é esperma
São racionais mas raramente racionalizam
Acham que a cona é quente demais para usarem camisa
Aqui tens de ter cuidado com as pachachas que tens à mercê
Tu podes entrar cheio de fé e sair com HIV, ouviste?
Esses dreads entram em qualquer racha que se abre
Por isso aqui nada cresce
A não ser a taxa de natalidade
E dos putos que nascem há uns nem têm a cara do pai (é fodido)
Têm a cara do melhor amigo do pai

Subúrbios

Onde a tua mãe aos 14 engravidou
Onde o teu pai semeou e não ficou
Onde a pobreza penetrou e se instalou
Subúrbios, onde Deus nunca passou

Onde a polícia espancou e assassinou
Onde o meu povo lacrimou e ripostou
Onde o meu flow escureceu e congelou
Subúrbios onde Deus nunca passou

Manos saem de cana
Mas cá fora não há chance pra gente cadastrada
Então vão e voltam como se a prisão fosse uma segunda casa
Aqui mães sofrem
Porque mães sabem que a cada 2 filhos que fazem 1 é para as ruas adoptarem
Na rua não há futuro
Não há amor
Não há fé
Esses putos roubam para comer, bro
E comem bué
Sempre que há drama só contigo é que podes contar
Porque 112 aqui pode ser o número do azar
Bófias vêm prós subúrbios com arrogância e prepotência
Por isso é que forças de segurança
Aqui só trazem insegurança
Vêm numa de roubar pretos com armas e cacetetes
Há mais skinheads na PSP que no PNR
Mas hoje está tudo mudado, não é só levar e cair
Manos também tão armados
Porque tão cansados de fugir
Enrrolam com bué artilharia
Prontos para quando o beef estala
Bófias têm 7 vidas niggas têm 8 balas

Onde a tua mãe aos 14 engravidou
Onde o teu pai semeou e não ficou
Onde a pobreza penetrou e se instalou
Subúrbios, onde Deus nunca passou

Onde a polícia espancou e assassinou
Onde o meu povo lacrimou e ripostou
Onde o meu flow escureceu e congelou
Subúrbios onde Deus nunca passou

O people da linha de Sintra vai sentir este som
Tropas da Margem Sul vão sentir este som
Todos os manos que tão de cana vão sentir este som
Em Odivelas Santo António vão sentir este som
Em Talaíde, Carcavelos vão sentir este som
Manos de Quarteira e Gaia vão sentir este som
Até nos subúrbios de Braga vão sentir este som
A rádio é muito patakeira pra passar esse som

Subúrbios
Subúrbios
Subúrbios

Bófias têm 7 vidas, niggas têm 8 balas

Informações da música

Composição: Valete e Andro Del Pozo Botelho De Carvalho

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