Da janela ouvi poesias Vi o dorso do alvorecer Vi o Sol, abraçado por nuvens Escalar a garganta do céu Vi a estrada coberta de folhas Vi caminhos fechados em mim Ouvi passos fugirem de dia Da utopia de noites veladas Trazidas por ventos cortantes Que constantemente me fazem Lembrar que estar vivo é como O arder de galhos em brasa Na garganta, o queimar da cachaça A pimenta nos olhos de mel Amargor desta sina de embates Concebida no afã de saber Respirando, eu senti o horizonte Dissolvendo prece e oração Vi caminhos tortos e imbricados Desenhando o sentir e a razão Minha língua é até de cobre E a palavra de ouro nobre Para quem, de fato, ouvir Minha prosa é hospedeira Pra quem busca, sem a senha O coração e o seu devir No pulsar do meu desespero Engoli meu orgulho e ferida No desuso do meu corpo em luto Pelo austero ferro da vida Quando o medo pousar no horizonte Encarando minha face carmim Mesmo que a esperança hoje morra Seguirei afastado do fim Da janela ouvi poesias Vi o dorso do alvorecer Vi o Sol a beijar o meu corpo Para um novo dia nascer