Cada canção do meu castigo É uma carta a um amigo Cada palavra meço E peso cada verso a quem possa agradar A melodia que namoro Quando me apaixono, choro Em cada intervalo De sexta a terça-feira eu penso e pouco falo E por um pedido no meu colo Posso mudar o meu estilo Eu bem lhe disse desde o início Amor é sacrifício Toca meu dedo em cada nota Gota, goteira, a pele e a boca E é o que me abre a porta E aberta já teu gesto ao peito aponta a paz E com o mesmo traço que se entorta E como quem treme ao pé da forca Te entrego esta carta Que encontra no teu rosto um norte, um porto, um cais E como voltasse em meu caminho Não como outrora de mãos pensas Ergo-as, escravo do ofício Amor é sacrifício